domingo, 26 de junho de 2011

Ventania de lembranças


O vento gelado desse dia frio traz-me um sentimento triste, me sussurra no ouvido a diferença dos meus dias, a adversidade das pessoas, os momentos que ficaram presos no passado, as músicas que já não me fazem dançar.
Mostra-me que o pedaço do céu que eu tanto queria, passou a ser de outra pessoa, agora ele está coberto de neblina, de escuro, até o sol passou a aparecer pouco depois de um grande desgosto, de um dessabor.
O ar toca minha pele, causa-me arrepios, pego-me recordando o tanto que é incomoda a sensação de ouvir o som ensurdecedor e sentir o cheiro dessa estação do ano.
Espero que amanhã tudo volte ao normal, que o gélido e o assobiar do vento se afastem e levem o vazio, o oco, a dormência que eles me causam.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Falsidade

Engraçado são as pessoas que gritam, falam mal, revolucionam, por uma coisa que nem elas próprias podem oferecer, nem elas mesmas cumprem.
Querem igualdade, dignidade, humildade, mas elas precisam primeiro enxergar se isso é compatível com a personalidade delas.
O que eu vejo muito é um bando de hipócritas, urrando os seus direitos e até mesmo o do outro, e fazendo tudo pelo avesso.
Causa repulsa as situações que me obrigam a viver, dá náuseas, um querendo ser melhor que o outro, e não estão nem aí para ninguém que possa ficar mal por conta disso.
Gente que é gente respeita, gente que é gente se uni e não precisa desmerecer ninguém para inflar o seu ego, para exaltar suas qualidades, pois quando se pisa em alguém são os defeitos que ficam a amostra, pregados em negrito na testa.

terça-feira, 7 de junho de 2011

'

Aqui faz frio, faz calor, faz falta, faz vazio.
É sem graça, sem risada, sem gargalhada, sem força.
Não tem vontade, não tem garra, não tem significado.
Há saudade, nó na garganta, um choro engasgado seguido de sensação de fracasso, um fechar de olhos que é uma fuga, existi uma rotina amarga difícil de ser digerida, de ser aceita.
Contem um desejo de gritar, de correr, de chorar, de explodir, de sumir.

sábado, 4 de junho de 2011

'Espelho


Já não tenho a mesma ótica de algum tempo atrás e nem sou mais a mesma. Ganhei alguns anos, deixei de acreditar em verdades que eu tinha como irrefutáveis. Acrescentei à minha bagagem conceitos polidos, resgatei coisas, até então, sem nenhuma serventia do lixo, e as canonizei. Mudei sonhos, (re)encontrei pessoas, disse um adeus dolorido aos trecos que eu acumulava. Logo eu que sou tão apegada as minhas coisas, as pessoas que me rodeavam, tive que largar mão de quase tudo, tive que flexionar o que eu era, para então passar a ser.
O tempo obrigou-me a pincelar transformações, encerrar ciclos, não quer mais deixar-me dormir e acordar descansada, fazendo as horas parecerem segundos. Com tudo diferente, é certo que: eu, vc, as pessoas, os minutos, os lugares, os momentos, não são iguais aos que foram a um minuto atrás (e jamais serão).